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  • Mayla Tauany

Período de isolamento social pode ser um gatilho para que as pessoas desenvolvam quadro depressivo



Desde a determinação do isolamento social devido a pandemia, as pessoas tiveram que adaptar a vida para o “novo normal” e saíram totalmente da rotina.


Pesquisa TKS Comunicação


Em uma pesquisa realizada nas redes sociais da equipe TKS Comunicação, 85% das pessoas experimentaram dois ou mais sintomas que podem ser gatilhos para um transtorno depressivo. 21% delas já tentaram ou pensaram no suicídio. Com essa estatística, avaliamos a total necessidade de apoio e ajuda profissional.

Em um bate papo exclusivo e muito especial, três psicólogas com competências excepcionais e pontos de vista interessantes que se complementam, responderam algumas perguntas para o site TKS Comunicação. Muitos esclarecimentos sobre a diferença entre a depressão e a depressão na quarentena foram elucidados.

Depressão X Depressão na quarentena

Luciene Gomes:

Depressão é um transtorno sério. Que exige cuidados, em muitos casos com auxílio de medicação e indicação de psicoterapia para redução dos sintomas.

O que ocorre na pandemia é que gera um estresse exagerado em algumas pessoas, as incertezas, o medo do que pode acontecer, o medo de não saber o que fazer, o medo de contrair o vírus, o medo de perder pessoas queridas, dentre muitos outros medos que todos experimentamos nesse período. O que muda é que para algumas pessoas a dificuldade em lidar com todas essas perguntas aliada ao fato de estar em isolamento social acarreta numa condição emocional de alto estresse e sentimentos ruins que podem desencadear um processo depressivo.“

Rosangela Sampaio


Se faz necessário entendermos três situações que se confundem:


- A depressão é uma síndrome psicopatológica caracterizada por abatimento físico ou moral (tristeza, desolação, perda de interesse, perda de amor próprio, múltiplas queixas somáticas (insônia, fadiga, atraso motor ou agitação e sentimentos de abdicação que são frequentemente acompanhados de ideias agressivas ou tentativas de suicídio).

- O estado de melancolia é caracterizado por depressão em grau variável, sensação de incapacidade e perda de interesse pela vida, o que faz com que ela vá do ótimo ao nada.

- Agora quando falamos de tristeza, que é uma emoção negativa, é um fenômeno de causas externas. Ao tentar entender a situação que está passando, a pessoa triste não se afasta do mundo.

Ellen Moraes Senra

Para se caracterizar o Transtorno do Humor depressivo é necessário que os

sintomas permaneçam por um tempo mínimo continuamente,

O que na quarentena acaba não acontecendo tanto, visto que costumamos oscilar entre o

humor depressivo, o tédio e até momentos em que temos energia e alguma

produtividade. O estado de tristeza que vem por conta da quarentena geralmente é mais

relacionado ao ócio e ao fato de o impedimento de poder fazer o que se deseja.

Terapia On-line e uso de medicamento

Elas indicam como é feito o tratamento e se faz necessário o uso de medicamento nesse período de confinamento. Para se adaptar a realidade, muitos profissionais optaram pela terapia on-line, uma forma acessível e prática para seguir todos os cuidados exigidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


Luciene Gomes:

As terapias online têm sido muito utilizadas nesse período e auxilia a pessoa a lidar com o turbilhão de sentimentos e sensações que estar em isolamento provoca.

Rosangela Sampaio:

Qualquer condição que traz prejuízos para o indivíduo deve ser tratada. Se o paciente desencadeou a síndrome durante o período de isolamento, é valido avaliar o histórico anterior, pois possivelmente algo já não estava bem e com o isolamento potencializou. A psicoterapia on-line é um dos caminhos para o tratamento da síndrome e o trabalho multidisciplinar pode ajudar. Dependendo da condição do paciente, intervenções medicamentosas pode ser uma opção após avaliação de um especialista.

Ellen Moraes Senra:

Se os períodos de tristeza e prostração forem persistentes, realmente pode ser que a pessoa esteja entrando em um quadro depressivo. Caso o paciente não tenha histórico, pode ser que somente a psicoterapia auxilie, sendo a modalidade on-line a mais indicada por conta da recomendação do isolamento. Quanto à medicação, somente será recomendada se os sintomas forem muito fortes e a psicoterapia não conseguir auxiliar.

Abraço virtual

Felizmente, a tecnologia permite que as pessoas tenham contato frequente com quem ama. Para aqueles que não podem dar ou receber um abraço caloroso e estar presente pessoalmente na vida das pessoas, as psicólogas indicam alternativas para esse “abraço virtual”.

Luciene Gomes:

A melhor forma nesse momento são as redes sociais, o uso da tecnologia a nosso favor. Uma ligação de vídeo, uma ligação de voz, uma mensagem de carinho. São formas de diminuir um pouco da saudade, além de demonstrar e receber carinho daqueles que gostaríamos de ter por perto.

Rosangela Sampaio:

Desenvolver hábitos para manter o bem-estar é fundamental nesse momento de isolamento social. Em uma recente pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 65% dos entrevistados relataram piora na saúde mental durante a quarentena.

Deixo aqui 3 dicas para manter e/ou melhorar seu nível de bem-estar em momentos de crise:


- Desenvolver seu potencial;

- Trabalhar de modo produtivo e criativo;

- Construir relacionamentos sólidos e positivos.


E, caso você queira amparar aos demais, também deixo 4 dicas para você ajudar outras pessoas a passarem por essa crise:

1 - Encontre um momento apropriado e faça uma vídeo chamada ou ligação com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio;

2 - Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público;

3 - Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa;

4 - Fique em contato para acompanhar como a pessoa que está passando pela situação, o que está fazendo e se precisa de alguma ajuda.

Ellen Moraes Senra:

Atualmente, a tecnologia nos auxilia com a presença virtual, então, ligar, mandar

mensagens, fazer vídeo chamadas e se colocar à disposição, caso a pessoa precise, pode ser o diferencial.

Morar sozinho (a) x tendência ao transtorno

Luciene Gomes:

Isso depende do quanto essa pessoa está lidando com essa questão. O isolamento não deve causar depressão em pessoas que mantém a mente e o corpo saudável, pode trazer alguns sentimentos ruins, mas não é uma afirmação para todos. Pessoas saudáveis que mantém uma rotina com atividades que lhe dão prazer sejam elas: atividade física, leitura, trabalho, e outras tantas. Não necessariamente por viver sozinhas terão um processo depressivo. Mas em alguns casos se a pessoa já teve depressão em outro momento, pode ser que ela tenha novamente nesse período em que está sendo privada de realizar algumas tarefas que antes fazia parte da rotina.

Rosangela Sampaio:

Não podemos afirmar ser maiores, depende da individualidade de cada um. O fato é que não aprendemos na escola habilidades socioemocionais, ou seja, conjunto de competências que o indivíduo tem para lidar com as próprias emoções. E diante de uma situação completamente adversa, o risco de desenvolver síndromes é maior.

Ellen Moraes Senra:

Se a pessoa tiver pré-disposição a desenvolver o transtorno, o risco é maior sim, porém, muita gente consegue viver bem sozinho e esse isolamento não está afetando tanto justamente porque a pessoa sabe que pode recorrer à tecnologia.

Depressão pós pandemia

Uma pergunta que merece atenção: quando o isolamento social acabar e essa fase passar, é possível que a pessoa que entrou em estado depressivo se mantenha nessa condição ou será muito mais fácil de trabalhar e fazer um tratamento que o ajude mais rápido?

Luciene Gomes:

O processo depressivo é diferente entre as pessoas, cada caso deve ser avaliado e tratado como único, o que funciona para um pode não funcionar com o outro. Então, tudo depende do quanto esse indivíduo foi atingido, do tipo de tratamento que os profissionais (psiquiatra e psicólogo) irão indicar, do quanto esse indivíduo vai colaborar no processo. Por outro lado, tendo em vista que a rotina volte a ser estabelecida, a ideia é que aos poucos as pessoas possam retomar suas vidas e encontrar novamente o ponto de equilíbrio.

Rosangela Sampaio:

Reconhecer que precisa de ajuda e buscar essa ajuda é meio caminho andado. Buscar entender as próprias emoções, sentimentos e pensamentos é o mais assertivo em qualquer circunstância.


Ellen Moraes Senra:

Sem dúvidas, o tratamento será mais rápido e eficaz, pois além da psicoterapia e do tratamento medicamentoso, outras orientações, como saídas com amigos, praticar atividades ao ar livre e manter uma rotina também são excelentes modos de sair de um quadro depressivo.

Depressão x outros transtornos

Além da depressão, a quarentena trouxe alguns outros transtornos psicológicos. A ansiedade, foi unanimemente citada entre Luciene, Rosangela e Ellen.

Luciene Gomes

Ouvimos muito sobre a ansiedade, pessoas que estão bebendo ou comendo muito, percebe-se muitos excessos. A ansiedade, infelizmente, está em alta. O problema é que ela pode ser uma porta de entrada para a depressão e deve ser tratada, merece atenção. Normal ansiar por algo, mas quando isso tira nosso sono, quando trazemos para o hoje coisas que irão acontecer no futuro, isso precisa ser avaliado por um profissional.”

Rosangela Sampaio:

Ansiedade, claustrofobia, transtorno do pânico, diversos tipos de TOC e a Síndrome de Burnout, só para citarmos as mais relevantes.

- Ansiedade é a sensação de receio e de apreensão, suscitada pela suspeita ou prevenção de perigo para integridade da pessoa;

- Claustrofobia é o modo mórbido de permanecer em espaços fechados;

- Transtorno do Pânico caracteriza a ocorrência de crises de ansiedade espontâneas e imprevisíveis (ataques de pânico);

- TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) é o sintoma de obsessões ou compulsões recorrentes, suficientemente graves para causarem acentuado sofrimento à pessoa consumindo tempo e interferindo significativamente na sua rotina normal;

- Síndrome de Burnout é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão externa, estresse e esgotamento físico.

Ellen Moraes Senra:

Transtornos de ansiedade em geral, como pânico, ansiedade generalizada e até mesmo o próprio TOC. A fobia social ainda não está sendo tão manifestada, mas é bem provável que fique mais latente quando o isolamento acabar.

Consultas

Do outro lado, os psicólogos estão com a demanda de atendimento muito mais alta.

Luciene Gomes:

Falando sobre a minha experiência, acredito que a maior dificuldade seja a demanda alta de pessoas experimentando sintomas semelhantes, infelizmente. Ou de muita tristeza ou de extrema ansiedade. É triste perceber que, infelizmente, muitas pessoas estão adoecendo.

Rosangela Sampaio:

Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade que não enxerga a saúde mental e emocional como prioridade, então, a busca por ajuda ainda é muito restrita.

A procura pelo atendimento psicoterapêutico on-line ainda é tímida, visto que é uma área relativamente nova e, aproveitando o ensejo, acredito ser assertivo ressaltar os pontos positivos do atendimento on-line:

- É eficaz e permitido;

- Pode ser feito no conforto da sua casa ou intervalo do trabalho, com horários mais flexíveis;

- Evita gastos de estacionamento, deslocamento e perda de tempo com trânsito;

- Ocorre através de chamadas de vídeo com segurança, que preserva o sigilo e a privacidade do atendimento;

Ellen Moraes Senra:


Agora, já com tanto tempo de isolamento, creio que encontrar horário na agenda para atender a todos que precisam é uma das maiores dificuldades. Mas, inicialmente, acredito que o pior foi a adaptação à nova rotina de atendimento.

Conheça um pouco mais sobre as três profissionais e entre em contato para atendimento:

Luciene Gomes, é psicóloga clínica (CRP 06/110478), pós graduada em Educação Cognitiva e atuante há mais de 10 anos em área clínica. Participou de diversas entrevistas com assuntos variados e está a frente do Podcast Vale a Pena (re)viver, trazendo dicas importantes com assuntos importantes, de forma leve e objetiva.

Atende pessoalmente nas cidades de Cajamar e Jundiaí, ambas em São Paulo e realiza o atendimento online pelos quatro cantos do país.

Telefone: (11) 9.7627-0478

Instagram: @lucienegomes_7

Rosangela Sampaio é psicóloga (CRP06/130574) especializada em Psicologia Clínica e Positiva, atua com mentorias para o público feminino no projeto “Mulheres em Flow, é coach de carreira, além de apresentadora do programa Mulheres em Flow.

Com sua experiência e know-how, desde o final de 2018 desbrava um novo universo, o literário, assinando o capítulo “O poder do autoamor”, da obra “Autoamor – Um caminho para regulação emocional e autoestima feminina”, além da coordenação editorial e coautoria dos livros “Sem Medo do Batom Vermelho”, onde aborda um tema que é sempre polêmico, a rivalidade feminina, e “Mulheres Invisíveis”, sobre violência contra a mulher.

Também é colunista de portais expressivos e revistas nacionais, entre eles O Segredo, Revista Vivendo PlenaMente, Revista Cenário Minas e no Programa Em Destaque (Brasil Absoluto WebTV), onde leva informações sobre saúde mental para todos com uma linguagem leve, acessível e mostrando que disfunções emocionais fazem parte da vida de todos, ou seja, tentando quebrar o preconceito de que buscar ajuda seja “coisa de gente fraca”.

Telefone: (11) 9.6345-1778

Instagram: @rosangelasampaiooficial

Fan Page: www.facebook.com/rosangelasampaiooficial/



Ellen Moraes Senra é psicóloga (CRP 05/42764) especializada em TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) e Educação Emocional Positiva, palestrante, escritora e professora universitária. Escreve livros para todas as faixas etárias, assim como também para o público negro, sempre com a proposta de que o diálogo, o autoconhecimento e o autoamor são as bases para a felicidade tanto consigo mesmo, quanto com as demais relações a serem construídas na vida.

Dentre suas obras estão “Autoamor: um caminho para a autoestima e regulação emocional feminina”, “A psicologia e a essência da negritude” e “Feiurinha Sabe tudo”.

É colunista do Jornal Empoderado, das Revistas Statto e Vivendo PlenaMente, nos quais aborda assuntos que vão desde a expressividade e dificuldades das pessoas negras até a importância da ressignificação de atitudes e conceitos no dia a dia.

WhatsApp: (21) 9.7502-4033

Instagram: @psicologaellensenra

Você não está sozinho(a)! Procure ajuda. Não carregue esse turbilhão de mudanças sozinho(a).


Fonte: Luciene Gomes - Psicóloga Clínica

Fonte: Priscilla Silvestre - Assessora de Imprensa/Jornalista

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