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  • Mayla Tauany

Sentimento de culpa após comer um doce ou alimento mais gorduroso pode fazer até você engordar

A culpa alimentar é uma perda de tempo - e está sabotando seus objetivos de perda de peso. Acredite se quiser: sentir-se culpado pode te levar a acreditar que você colocou tudo a perder - o que pode facilitar seu descontrole



Existem muitos prazeres na vida e um deles é a comida. Entregar-se a ele, com deliciosas guloseimas, é bom. Mas ficar refém da culpa dos alimentos é, exatamente, o oposto. Isso pode acontecer quando você está em uma dieta de restrição calórica e não resiste a um doce, um cheeseburguer ou até mesmo uma fatia extra de queijo no seu sanduíche. “Quando alguém está buscando emagrecer, pode parecer que a restrição é a única maneira de permanecer firme em busca do objetivo. Mas, na verdade, se você quer perder peso, ser rigoroso demais com cada pedacinho que passa pelos lábios pode sabotar seus objetivos - sem mencionar sua autoestima”, afirma a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).


Antes de mais nada, é importante ter em mente que a saúde e a perda de peso parecem diferentes para cada pessoa. Se você quer perder peso, o que funciona para você pode não funcionar para outras pessoas e vice-versa. E é incrivelmente importante pensar sobre por que você realmente quer perder peso - e se isso é uma decisão saudável. “Por exemplo, se você tem um histórico de distúrbios alimentares, converse com um médico nutrólogo antes de iniciar um novo plano alimentar. Mesmo que você não tenha esse histórico, é fundamental estabelecer metas e expectativas saudáveis e realistas. Quando se trata disso, a perda de peso é muito mais do que a comida que você come”, afirma a médica. “Também é importante considerar se você está descansando e tentando manter os níveis de estresse baixos, além de elementos fora do seu controle, como condições de saúde e hormônios. A dica mais importante que podemos dar é prestar atenção ao seu corpo, tratar-se bem e ser gentil com você mesmo acima de tudo”, argumenta.


Com relação à culpa, também é ideal perceber como seu corpo reage a determinados alimentos. Depois de comer alguma coisa, se você se sentir lento, doente, inchado ou com dificuldades de digestão, é sinal de que você pode restringir esse alimento. “Mas, sentir-se culpado é uma resposta natural e arraigada a fazer algo ruim. Aí reside a raiz do problema”, afirma a médica. “As pessoas chamam a comida de 'boa' ou 'ruim' todos os dias. Essa prática é prejudicial porque moraliza o que você come de uma maneira muito fácil de aplicar a si mesmo. Ele faz as pessoas se sentirem como se fossem boas ou ruins com base em suas escolhas alimentares, mas não é o caso", diz a médica.


Uma das respostas mais comuns à culpa dos alimentos é sair do controle. "Se as pessoas comem um bolinho, pensam que estragaram tudo e isso pode ser um gatilho para o descontrole: elas pensam que se já jogaram a dieta de hoje fora, podem comer ainda mais", diz ela. “Isso pode levar a consumir mais calorias do que você faria se apenas tivesse curtido comer algo saboroso sem ser tão emocionalmente carregado”, afirma a médica.


Um alimento pode ser saudável ou não para o seu corpo, mas fique tranquilo: ninguém faz as escolhas mais saudáveis o tempo todo. Você pode seguir o caminho de pensar em alguns alimentos como densos em nutrientes e outros como menos densos em nutrientes, em vez de dividir os alimentos em bons e ruins. “Você pode incorporar tudo com moderação, que não é apenas uma maneira sustentável de viver, mas também uma maneira mais gentil de se tratar. Além disso, essa forma de lidar com a comida não atrapalha eventos sociais e encontro com amigos. Isso também ajuda a afastar a privação resultante da tentativa de evitar a culpa pela comida, e torna possível ter comida que agrade ao seu paladar, enquanto ainda perde peso”, diz a médica.


Depois de aceitar isso e saber que o brownie ou sorvete faz parte da alimentação normal, você sabe que nada de ruim vai acontecer se mantiver a moderação. “Ao contrário de uma atitude de tudo ou nada, pensar dessa maneira ajuda a manter o hábito saudável de boas escolhas alimentares em vez de acreditar que, uma vez que já se entregou, você também deve jogar fora tudo que já conquistou”, enfatiza. “Quando você vê a comida como combustível para o seu corpo, algumas que alimentam da maneira mais ideal e outras que não tanto, mas não são o fim do mundo, você pode se aproximar de seus objetivos e ser mais feliz em geral. Não existe uma dieta 'perfeita' que todos devam seguir", finaliza.


FONTE: DRA. MARCELLA GARCEZ, Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologiado Hospital do Servidor Público de São Paulo.


Jornalistas responsáveis: Guilherme Zanette | Maria Alice - Holding Comunicações

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